quarta-feira, 25 de abril de 2007

Chamado Global para Internacional Anarquista na Cidade do México, julho 8, 9 e 10 de 2007


A rebeldia galopa em nossos corações, milhões de seres humanos, os invisíveis, os pobres, todos àqueles que foram lançados a margem da história se levantam contra a dominação em todos os cantos do planeta. Milhões de pessoas se empenham em realizar a batalha para defender o gênero humano e o seu planeta; esses milhões se negam a integrar-se no mundo do Mercado Global, ao mundo da Democracia Representativa e da Pluralidade Liberal, porque eles são os que pagam o preço da comodidade de uns quantos.

O vendaval da insubmissão tem uma ampla tradição e essa eterna tradição se traduz em conhecimento, num saber acumulado através de séculos de luta. Este conhecimento é o que dá ao anarquista a certeza de que seu caminho é o correto. As novas formas de organização têm deixado muito atrás as velhas formas de controle da rebeldia, os partidos políticos, os sindicatos vendidos, as escolas e universidades que se prestam a servir os que dominam ou que apenas ficam contemplando, perplexos, a eterna batalha da vida social entre a liberdade igualitária e a autoridade hierarquizante.


A história da civilização é uma história de rebeldia, desde que surgiu a desigualdade apareceram os/as rebeldes, os/as ilegais e os sonhadores, aqueles que se empenham em desafiar a ordem superior e não temem os castigos divinos nem as ridiculizações, porque têm compreendido que somos criação de nós mesmos, que somos autocriação e que como tais podemos configurar um mundo baseado na liberdade e na igualdade.


Ao longo do tempo em que existem as sociedades de classes tem se lutado contra a dominação e todas essas lutas se configuram numa herança de incalculável valor, uma herança que leva pessoas e comunidades por um caminho perigoso e quase desconhecido, o caminho da rebelião. Nossa geração não pode ficar à margem dela, não podemos ficar olhando como o mundo se desfaz em pedaços, esperando as condições objetivas, o golpe de sorte que nos leve à emancipação: a liberdade não se busca, se constrói.


Muito se fala de democracia e liberdade, de progresso e futuro, de bem-estar e equidade, de pluralidade e tolerância, mas nada desse ridículo e atroz discurso pode ser observado na realidade. As palavras são só isso, representações. Contam-se aos milhões as vítimas desse pseudo-progresso e de sua desumanidade.


Assim como são muitas as formas de controle, são múltiplas as formas de insubmissão. Cada um em seu âmbito contribui para a destruição desta injusta ordem social. Nos Estados Unidos, e no México concretamente, cresce o descontentamento e apesar das ferozes ofensivas do Estado e das multinacionais, são milhares os que se rebelam a cada dia. Essa luta cotidiana e ancestral pela libertação nos obriga a tomar nosso lugar na construção da liberdade.

A experiência nos tem ensinado que o melhor caminho para a emancipação é a organização. Mas toda organização necessita da sustentação das idéias para poder realizar um trabalho efetivo e não contraditório, de tal forma que possa, não impor, mas sim sugerir para a prática libertária as múltiplas manifestações de rebeldia.
Por isso, a Biblioteca Social Reconstruir convoca os indivíduos e coletivos a participar num Encontro Internacional Anarquista a realizar-se no próximo mês de julho deste ano de 2007, na Cidade do México, nos dias 8, 9 e 10.


Ao encontro propõe-se três objetivos fundamentais (como proposta da Biblioteca):

- Primeiro. Fomentar a discussão das idéias ácratas e, sobretudo nossa formação ao nível teórico. Para isto se propõe que no encontro se realize uma mesa de discussão sobre o passado, presente e futuro do ideário anarquista, sobre idéias básicas e novas que nos ajudem a realizar tanto uma análise como uma crítica séria da sociedade atual.

- Segundo. Compartilhar experiências organizativas baseadas no anarquismo. Neste apartado indivíduos e coletivos podem compartilhar tanto experiências como propostas de organização, para que os participantes possuam os elementos necessários para a análise dos alcances e limitações das mesmas.

- Terceiro. O encontro e o que se possa aprender neste se inscrevem numa série de esforços, que desde há vários anos indivíduos e coletivos realizam, encaminhados na construção de uma organização ampla e forte que logre unificar o trabalho disperso que realizamos desde nossos respectivos âmbitos locais. Se as condições o permitirem, este encontro pode ser o ponto de partida para impulsionar o caminho à organização.

A partir destas três premissas, que podem ser modificadas, poderão participar todos os coletivos e indivíduos tanto na organização do encontro como nas mesas do mesmo. A presente convocatória não têm o afã de aglutinar nem de incluir no grupo convocantes àqueles que participam, senão o de trabalhar em conjunto com absoluto respeito às inclinações e autonomia de cada participante.

Os/as interessados em participar podem entrar em contato com a Biblioteca Social Reconstruir através dos e-mails biblioteca@libertad.org.mx ou caravanalibertaria@riseup.net.

Notas:

- Aqueles que dominam uma língua que não seja o castelhano que nos apóiem nas traduções.

- Aos grupos e indivíduos que queiram participar e não tenham lugar para seu alojamento é necessário confirmar sua participação com antecedência para proporcionarmos a ele, na medida do possível.

- A data específica, assim como os calendários de atividades, serão determinados nas reuniões preparatórias.

- Foi escolhido o mês de julho porque ele permite que aqueles que participem no Encontro Zapatista em Chiapas tenham a oportunidade de participar no desta cidade sem atrapalhar suas atividades agendadas, já que este encontro é independente de qualquer organização não anarquista.

- Os locais onde se realizará o encontro serão três, até o momento, mas podem extender-se segundo sejam proposto pelos coletivos ou indivíduos.

agência de notícias anarquistas- ana

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